BEHIND THE... - MR. CONTROVERSY, OU SÓ HBK?

1ª Edição | "MR. CONTROVERSY, OU SÓ HBK?"
Mais uma rubrica no WEP, Wrestling Em Português, que vos trará (semanalmente ou não) segredos ou dados relevantes por detrás de storylines, feuds épicas, lesões, ou até mesmo de segmentos que não se ficaram pelo que estava planeado. Será, em resumo, o contar de aspectos que “levou a…”.
Por vezes no wrestling ocorrem certos acontecimentos que escondem segredos de extrema importância, ou outros em que a controvérsia se ocupa dos intervenientes e as coisas correm mal.
Nesta primeira edição do “Behind the…” faço o favor de vos trazer a história pouco ortodoxa do nosso “Heart Break Kid”, Shawn Michaels, uma das caras da companhia número um do wrestling a nível mundial… e já o é há já longos anos.
Nem sempre a estadia de Michaels na WWE foi um “mar de rosas”, conquistas de títulos ou o total domínio aquando a criação de uma das mais importantes stables na história do Wrestling.
Há mesmo que lhe chame o “Mr.Controversy”, o que pode ser explicável apenas com o mais do que famoso “Montreal Screwjob”, mas não foi este o único calcanhar de Aquiles na carreira de Michaels. Aliás persistem ainda dúvidas acerca da veracidade desse acontecimento. Storyline (perfeita) ou não, Shawn foi sempre alvo de injúrias dentro e fora da WWE.
Recuemos até ao início da década de 90, onde Michaels era parceiro de Marty Jannety, formando uma das mais empolgantes Tag Teams dos anos 90. Em 1991 começava as primeiras traições, as quais já nos ambientamos, em que o “HBK”, no famoso Beefcake’s Talk Show, acabou por atirar o seu parceiro por uma janela “a dentro” (literalmente). Começava aqui a faceta mais rebelde de Shawn Michaels, o que contribuiu em boa parte para a sua escalada para o sucesso. Aliado também à sua excelente performance no ringue da WWF, o “Boy Toy”, tal como era apelidado na altura, fez de Shawn um protótipo da perfeição e começava uma era de ouro na carreira deste.
Os primeiros problemas iam surgindo aos poucos e poucos, entre as quais brigas entre vários lutadores nos balneários, possivelmente impulsionados por Razor Ramon (Scott Hall) e Diesel (Kevin Nash) que andavam na corda bamba entre a WWF e a rival WCW. Foi em 1993 que o primeiro desaire caiu sobre o rapaz de Santo António, tendo este sido suspenso por uma falha no controlo anti-dopping, resultando consequentemente na perda do título Intercontinental que teimava em não lhe fugir da sua cinta apertada, chegando mesmo a cessar o contracto que o ligava à empresa. Mas esta pausa foi curta e Shawn regressava à WWF… para mais controvérsia! Um rápido retorno com uma conquista dos títulos de Tag Team juntamente com Diesel, fez Michaels cair na tentação de mais uma traição. O lesado foi de novo o próprio parceiro, Diesel, numa das mais chocantes traições na história da empresa, pois apesar de tudo, aparentava não ser “intencional”. Michaels assumia-se como um vilão nato, e partiu para a Rumble desse ano para conquistar o lugar na WrestleMania desse ano de 1995, onde conquistou o seu primeiro título da WWF.

Marcante foi também a formação dos famosos “The Kliq”, uma poderosa stable formada por HHH, Michaels e a dupla de Diesel/Ramon. Michaels estava cada vez mais provocador, e partiu para aquele que ficou conhecido como o “Syracuse Incident”, onde Michaels teve uma grande rixa num bar dessa cidade, na noite onde mais tarde iria combater frente a Owen Hart. A rixa foi tão grave que durante o combate, Michaels perdeu os sentidos, resultado de uma contusão, levando a mais um afastamento deste, que só voltou a ser visto na Rumble de 1996, onde, pela segunda vez consecutiva, venceu e foi à WrestleMania derrotar Bret Hart no mais famoso “Ironman match” da história do wrestling.
Mas o campeão não voltou a ser o exemplo para ninguém. No dia 16 de Maio de 1996, deu-se o “Curtain Call”, no Maddison Square Garden em Nova Iorque, onde os membros da Kliq romperam o Kayfabe, abraçando-se todos os quatro membros após um combate Steel Cage.
Shawn Michaels anunciou a todos, mais tarde nesse ano, que teria de se retirar devido a uma gravíssima lesão no joelho, abandonando assim a empresa, proclamando uma das mais famosas frases na sua carreira. “Terei de encontrar o meu sorriso de volta. (…) Algures já o perdi”. Bret Hart, um rival de Michaels até na vida real, declarou em várias entrevistas que a lesão de Michaels era falsa.
A formação de mais uma Stable foi mais um ponto controverso, desta vez a famosa D-Generation X, juntamente com Triple H, Chyna e Rick Rude, numa clara resposta à formação da nWo na rival WCW. Michaels tinha como propósito tornar os DX numa Stable sem quaisquer regras ou limites, ousada e bastante provocadora.
E em 1997 que entra o verdadeiro momento controverso do HBK – o Montreal Screwjob. Basicamente Michaels havia-se reunido com Vince McMahon e o árbitro Earl Hebner para “lixar” Bret Hart no Survivor Series. A campainha soou, sem no entanto Bret Hart ter desistido do Sharpshooter de Michaels, levando à conquista de mais um título da WWF.
A “coisa” apenas abrandou no ano de 1998, no Royal Rumble, onde sofreu a sua maior lesão. Michaels foi atirado, pelo Undertaker, por cima das cordas embatendo com as costas na borda do caixão. O resultado foi o seu afastamento por mais de 4 anos da empresa, uma lesão que ainda hoje lhe causa graves problemas, e o fim da sua era mais controversa.
É justo o seu apelido de “Mr. Controversy”. Querem lutador mais controverso que Michaels? Há sem dúvida muitos que lhe chegam perto, mas o rei dela é sem dúvida o nosso Heart Break Kid. Sem papas na língua, sem remorsos e sem meias medidas, SHAWN MICHAELS é a controvérsia em pessoa.
Até à próxima.